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A Quatro Mãos

Nos tempos livres, eu e a minha mãe dedicamo-nos aos trabalhos manuais. É um vício que nos tem perseguido toda a vida e que funciona com terapia nos momentos de maior stress.

A Quatro Mãos

Nos tempos livres, eu e a minha mãe dedicamo-nos aos trabalhos manuais. É um vício que nos tem perseguido toda a vida e que funciona com terapia nos momentos de maior stress.

Dia da Mãe

04
Mai20

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Bem sei que o Dia da Mãe foi ontem, 5 de Maio, mas só hoje me lembrei deste volume da colecção Anita (Sim, no meu tempo, chamava-se Anita, e nunca me habituarei a chamá-la Martine). Fui buscá-lo à estante porque me recordava que neste volume, a Anita e o irmão, João, estavam em dúvida sobre o que oferecer à mãe. O dinheiro da mesada não chegava para comprar-lhe um relógio ou uma jóia, as suas primeiras opções. Podiam comprar-lhe um disco (na época, na havia CD), mas não sabiam quais eram as suas canções favoritas. Por sugestão do pai, foram para casa da avó e acabaram a vasculhar o sótão.

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Para mim, os sótãos são lugares mágicos. Nunca sabemos o que vamos encontrar, mesmo que tenhamos sido nós a lá guardar os objectos. Cresci numa casa com sótão, e recordo-me dos muitos bons momentos que lá passei. Nos prédios, os sótãos foram substituídos pelas arrecadações, mas, assumamos, não é o mesmo. Um sótão será, para mim, sempre um espaço de descoberta e de evasão. E foi no sótão da avó que a Anita e o João, com a ajuda da prima Francisca, encontraram aquilo de que precisavam para fazer um presente personalizado para oferecer à mãe: um lenço tingido com a técnica batique.

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O batique é uma arte milenar de tingimento de tecido originária da ilha indonésia de Java, declarada Património Imaterial da Humanidade pela Unesco em 2009. De uma forma resumida, consiste em cobrir com cera derretida as partes do tecido que não queremos tingir. O tecido terá de passar por diversos banhos de tinta até estar totalmente colorido. Cada vez que isso acontece, o tecido tem de secar por completo, antes de se cobrir a parte colorida com cera derretida para voltar a mergulhar o trabalho numa outra cor. Este vídeo explica bem como aplicar a técnica do batique.

 

Embora dê algum trabalho, parece-me uma técnica interessante para usar com as crianças mais velhas, sempre sob supervisão de um adulto. O resultado final será uma peça original. Lembrei-me deste volume da colecção Anita a propósito do Dia da Mãe porque, muitas vezes, com os materiais que temos em casa e um pouco de imaginação, conseguimos fazer um presente personalizado e não muito dispendioso para oferecer a familiares e amigos. Haja disposição para isso.

Ponto de Arraiolos

02
Mai20

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Enquanto eu tenho no ponto-cruz a minhas técnica de bordado de eleição, a minha mãe prefere o ponto de Arraiolos. Aprendeu há muitos anos com uma colega do trabalho, e nunca mais parou. Desde então, já bordou uma quadros, tapetes (de quarto e de casa-de-banho), carpetes e almofadas. Ao contrário do que se possa pensar, o ponto de Arraiolos tem múltiplas aplicações. Eu ainda não me aventurei a aprender, embora já me tenham dito que as técnicas são muito semelhantes. 

 

Neste tempo de confinamento (que devemos respeitar apesar do levantamento do estado de emergência), a minha mãe decidiu iniciar mais um projecto em ponto de Arraiolos. Será mais um quadro, que resultará do aproveitamento da tela de juta disponível cá em casa e das lãs que sobraram dos outros trabalhos. Em breve, mostraremos como está a andar.

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Tucha e as amigas

25
Abr20

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Para quem não sabe, a Tucha foi durante muitos anos uma rival directa da Barbie nos anos 1970. Não sei se é por influência inconsciente dela que ainda hoje uso o cabelo comprido. 😊  Nunca tive uma Barbie, mas ainda hoje conservo a minha Tucha. Já não tem a roupa nem os sapatos originais (que se foram perdendo com o passar dos anos), mas nunca a deixámos despida. As mãos hábeis da minha mãe sempre lhe confeccionaram belas fatiotas. Para ela e para as suas duas amigas, que lhe juntei mais tarde. Ainda hoje, as três estão expostas no meu quarto em casa dos meus pais. Cada uma com o seu vestido, feitos em tricô e croché. Com sapatos e cuecas incluídas. Gostam?

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Ponto por ponto

23
Abr20

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Porque não aproveitar este tempo de confinamento, em que alguns de nós está com menos ou nenhum volume de trabalho, para alterar um pouco a decoração da casa? Por vezes, basta mudar alguns objectos de lugar, restaurar um ou outro móvel mais antigo, dar alguma cor numa moldura, ou, se tiver jeito para os trabalhos manuais, confeccionar umas almofadas novas para o sofá, para que o nosso lar ganhe uma nova vida. Eu optei por executar um novo quadro em ponto-cruz.

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Como já vos referi, gosto muito do bordado em ponto-cruz. Aprendi esta técnica há mais de 15 anos, sozinha, e já realizei vários trabalhos (para mim e para oferecer). Como ainda tenho algumas paredes despidas e bastantes meadas de linha de algodão e tela, decidi bordar um quadro alegre para o meu escritório. Sendo o meu espaço de trabalho por excelência, tem uma enorme estante cheia de livros (outra das minhas grandes paixões) que ocupa uma das paredes de uma ponta à outra. As paredes  restantes ainda não têm qualquer tipo de decoração.

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Há muito tempo que andava a pensar numa forma de tornar as paredes com mais vida. Decidi misturar algumas fotografias (outra paixão) que fui tirando os últimos anos de forma mais profissional, com algumas gravuras que comprei nos países por onde passei e um ou dois quadros bordados a ponto-cruz. Enquanto não selecciono as fotografias e as gravuras a pendurar no escritório (um tarefa algo difícil quando se tem umas quantas e muitas paredes livres espalhadas pela casa), dei já início ao quadro em ponto-cruz. Mas por enquanto, o desenho é ainda segredo.

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